terça-feira, 30 de outubro de 2012


Liberdade? (by Denilce Luca)
Painting: 'The Disasters of War' by Gottfried Helnwein

Subversivo não é o artista que retrata a cena que choca; subversivo é aquele que covardemente comete o ato na realidade subjugando os direitos e a vida de outro ser. Não presenciamos tais atos e não os vemos retra
tados pois a hipocrisia da maioria incondicionalmente os protege, tênue como um véu. A ignorância é mansa, suave e amiga. Confortável.

Na arte um pênis ereto e um close vaginal certamente chocam. O “nu artístico”, bem comportado e definido pela ala hipócrita pode. Provavelmente os membros dessa ala foram capados ou infibulados.

Nem pênis, nem vagina. Nem pensar. Comer a vizinha pode. Mas não tem problema, pode-se comer a vizinha e comprar seu ‘pedaço’ do ‘céu’ na igreja mais próxima. Hoje a coisa está mais simples, elas aceitam até cartão.

Um quadro com uma criança mutilada em uma crítica aberta aos horrores do Nazismo choca. Sim, uma obra pode provocar sensações intensas. Mas o artista agride a tela. Tão somente. Críticas merecem aqueles que na realidade cometeram o ato retratado pelo artista. Mas eles, como sabemos, têm como proteção o véu da hipocrisia ou do poder. Poder que a sociedade emburrecida e controlada humildemente os confere.

Hoax nas redes sociais contendo fotos de extremo mau gosto pode. Mas cuidado com a obra que posta pois alguém lhe denuncia aos administradores da rede. Lembre-se: nem pinto, nem buceta (desculpe, pênis ou vagina).

Nem Monteiro Lobato escapa...

A hipocrisia distrai, desvia os olhos do que realmente precisa ser visto, julgado e contido. Salve as novelas, o jornalismo comportado, um viva aos nossos tempos modernos onde se clama não haver mais censura.

Que a falta de cultura continue imperando.

Que a raça humana produza seres cada vez mais incapazes. Aliás, hoje em dia nem é mais necessário que o poder queime livros (ninguém mais os lê), destrua obras (elas são bem-comportadas), contenha intelectuais (quantos sobraram??).

Assim tudo acaba mais rápido e o planeta talvez tenha chance de se recuperar criando uma nova espécie. 
"O dotado de maior conhecimento é invariavelmente dotado de maior agressividade. A ignorância é morna, meiga, enfadonha." (Denilce Luca)

Degenerate art is the English translation of the German entartete Kunst, a term adopted by the Nazi regime in Germany to describe virtually all modern art. Such art was banned on the grounds that it was un-German or Jewish Bolshevist in nature, and those identified as degenerate artists were subjected to sanctions. These included being dismissed from teaching positions, being forbidden to exhibit or to sell their art, and in some cases being forbidden to produce art entirely.
Degenerate Art was also the title of an exhibition, mounted by the Nazis in Munich in 1937, consisting of modernist artworks chaotically hung and accompanied by text labels deriding the art. Designed to inflame public opinion against modernism, the exhibition subsequently traveled to several other cities in Germany and Austria.
While modern styles of art were prohibited, the Nazis promoted paintings and sculptures that were traditional in manner and that exalted the "blood and soil" values of racial purity, militarism, and obedience. Similarly, music was expected to be tonaland free of any jazz influences; films and plays were censored.

Gottfried Helnwein

Desde 1970, Helnwein tem o abuso, a dor e a violência como mote. Em entrevista para a TRUCE Magazine, em dezembro de 2008, o artista assumiu que se envolveu com temas violentos muito cedo, especialmente tratando-se de crianças. Nessa mesma ocasião, Helnwein indicou: “No curso de minha pesquisa, eu vi fotografias forenses de crianças que eram agredidas e torturadas até a morte – principalmente por 
parentes próximos.” Nas décadas de 1960 e 1970, o fotógrafo não encontrava esse tipo de assunto circulando pela mídia, por isso suas primeiras pinturas de crianças enfaixadas causaram furor na Áustria, que nomeou seu trabalho como “arte degenerada” – ou entartete kunst, movimento artístico cultivado durante o Terceiro Reich e a União Soviética.

domingo, 28 de outubro de 2012


'Jeans Only' by Denilce Luca


O DnLiveArt foi indicado ao Prêmio Dardos por Dulce Moraes do Crazy 40 Blog (http://crazy40blog.blogspot.com.br/ ).

 O Prêmio Dardos foi criado pelo escritor espanhol Alberto Zambade que, em 2008, concedeu no seu blogue Leyendas de "El Pequeño Dardo" El Sentido de las Palabras, o primeiro Prémio Dardo a quinze blogs selecionados pelo próprio. Ao divulgar o prémio, Zambade solicitou dos blogues honrados que também indicassem outros blogues ou sites considerados merecedores do prémio.

 Segundo o seu criador, o Prémio Dardo destina-se a “reconhecer os valores demonstrados por cada blogueiro diariamente durante seu empenho na transmissão de valores culturais, éticos, literários, pessoais etc., demonstrando, em suma, a sua criatividade por meio do seu pensamento vivo que permanece inato entre as suas palavras”. As regras do prémio estabelecem que os indicados poderão exibir no seu blogue/site o selo do prémio e deverão indicar outros blogs ou sites que preencham os requisitos acima para receberem o prémio.

Obrigada Dulce, pelo carinho e incentivo de sempre.

Indico para a premiação os seguintes blogues:

 Gritos da Alma de Nádia Santos
Entre Pensamentos e Sentimentos de Vera Lúcia
(In)Feliz de Felisberto Junior
Mude de Edson Marques
Simone Poesias
Sem Pênis nem Inveja de Teresa C.
Poemas sem Pressa de Gilberto de Almeida
musicArt de José Edward Guedes


'Fallen Angel' by Denilce Luca
(...)
One of the Angels though could not keep just watching
And just dry up the Little Girl’s tears…
This Angel was fascinated by the Little Girl…

Now, more than ever this Angel seemed not to have any answer
He had no answer at all for the feelings echoing in his mind
The feelings, he, as an Angel, as a Faithful Guardian,
Could never dare to feel. Ever.

The Angel was feeling something God had imposed to earthlings: Love
The Angel wanted to go down
He wanted to be a Man
To hold the Little Girl very tight in his arms
To kiss the Little Girl’s mouth and body feeling the softness of her skin
To Love her as a Man would

All the moments the Angel had been by the Little Girl’s side
Were moments in which he felt the pain of being stabbed in the heart
He was feeling something God had imposed to earthlings: Pain
For the Little Girl could not see him...
She would never know about the Love he felt for her
The Angel wanted to be seen and loved by her

The Angel went to God and asked Him to go down
God denied.

The Angel then thought that God, Who also fell for the Little Girl’s enchantments
Would listen to her words
Angel whispered in her ears every night and made her pray in her dreams:
“Lil Girl wants Angel…. God please…..bring me my Angel….”
God did not listen to the Little Girl’s prayers

Omniscient God knew her words had been whispered by the Angel
God decided to punish the Angel
“You will go down”
“You will be born”
“You will be a man like any other”
“Not an Angel anymore”
And will be away from the Little Girl
“As you wish you will live on Earth” God said
“But Little Girl has become a Woman” God added
“You cannot be together” God said this and laughed

God broke one of the Angel’s wings to make sure he would not come back to Heaven
And started working to make the Angel be born on Earth

First, as usual, God chose parents
Then, the name…
Asked some Angels around about their opinion
They seemed to have no answer at all….
But these same Angels knew who that Little Boy was
And promised themselves not to leave him alone on Earth

Well, the Little Boy was finally born.

Angels managed to deceive God and changed The Universe Clock
And the Little Boy was born just after six months the Little Girl
Little Boy of course did not remember he once had been an Angel
Did not remember anything about Little Girl as well

They finally met
But it was not in childhood that their eyes met
Neither did their hearts
Angels were worried
“What is going wrong? They are meant to each other…..”
Very confused and upset Angels sat and kept watching
They seemed to have no answer at all
Time passed on Earth

Years…

 Little Boy became a Man
Little Girl became a Woman
They were then living separate lives
Angels had lost all their hope
And felt miserable to see all their efforts were in vain

When this story was almost coming to an end
There came a day
When Little Boy and Little Girl met again

Angels were still miserable in Heaven
And started to cry...

The Angels’ tears flooded Earth
It was raining heavily on Earth
Little Boy and Little Girl were together
Angels’ tears continued to fall
And wetted Little Boy and Little Girl’s bodies

Then, Little Boy looked into Little Girl’s eyes
Little Boy immediately recognized the Girl he had loved so much
And whispered very softly in her ears

Little Girl recognized the voice that had whispered so many times in her dreams
Angels’ tears had done something magic
They could reach Little Boy on Earth to remind him of what he was there for
He magically became an Angel again
Angel’s and Little Girl’s eyes finally met
So did their hearts and souls

Angels certainly will change the Universe Clock once again
To give Angel and Little Girl more time to love each other
Angel and Little Girl are finally together

And Angels’ laughters now echo in Heaven…


'Looking for the Girl in the Psychedelic Experience' by Denilce Luca

sexta-feira, 26 de outubro de 2012


'Male' by Denilce Luca

Homem sou belo
Macho sou forte, poeta sou altíssimo
E só a pureza me ama e ela é em mim uma cidade e tem mil e uma portas.

(Vinícius de Moraes)

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

'Mulher' by Denilce Luca                                  (Painting by Montse Valdés)


nem mais sei quantas faces tenho
quantos seres abrigo
sou o ser cuja vagina é a origem da vida e a porta do prazer
cujos seios amamentam e despertam desejos

santa aos olhos dos que concebi e deliciosamente profana aos olhos daquele que me penetra a carne e me dá seu gozo
dona da boca que sussurra a canção de ninar e palavras sujas ao contorcer o corpo de prazer

 o ser que chora e acalenta

o  mais frágil e o mais forte
o mais sensível e impiedoso
o mais estável e  mais intenso
perdido em  insanidade e preso na sobriedade

a que se ajoelha aos pés do único e é altiva por ser a rainha por ele eleita
a dona do ventre que abriga a carne de minha carne e o sêmen do amado
abençoada e maldita

não sei quantos seres, prazeres e dores abrigo
nem mais sei quantas faces tenho...


terça-feira, 23 de outubro de 2012


Sad-Eyed Man by Denilce Luca

Wherever I go
The road takes me home to you

This is the Moon trying to deceive God pretending She is the Sun going down. Red alike. Few people see. They can (The Moon and Sun) - have their moments together till the Sun completely disappears from the Sky. Just a few treasured minutes, when God and Earthlings are too busy to watch them.
(Denilce Luca)

segunda-feira, 15 de outubro de 2012


Me encante da maneira que você quiser, como você souber.
Me encante, para que eu possa me dar...

Me encante nos mínimos detalhes.
Saiba me sorrir: aquele sorriso malicioso,
Gostoso, inocente e carente.

Me encante com suas mãos,
Gesticule quando for preciso.
Me toque, quero correr esse risco.

Me acarinhe se quiser...
Vou fingir que não entendo,
Que nem queria esse momento.

Me encante com seus olhos...
Me olhe profundo, mas só por um segundo.
Depois desvie o seu olhar.
Como se o meu olhar,
Não tivesse conseguido te encantar...

E então, volte a me fitar.
Tão profundamente, que eu fique perdido.
Sem saber o que falar...

Me encante com suas palavras...
Me fale dos seus sonhos, dos seus prazeres.
Me conte segredos, sem medos,
E depois me diga o quanto te encantei.

Me encante com serenidade...
Mas não se esqueça também,
Que tem que ser com simplicidade,
Não pode haver maldade.

Me encante com uma certa calma,
Sem pressa. Tente entender a minha alma.

Me encante como você fez com o seu primeiro namorado...
Sem subterfúgios, sem cálculos, sem dúvidas, com certeza.

Me encante na calada da madrugada,
Na luz do sol ou embaixo da chuva....

Me encante sem dizer nada, ou até dizendo tudo.
Sorrindo ou chorando. Triste ou alegre...
Mas, me encante de verdade, com vontade...

Que depois, eu te confesso que me apaixonei,
E prometo te encantar por todos os dias...
Pelo resto das nossas vidas!!!
(Pablo Neruda)


Simone de Beauvoir

“A separação de Sartre era sempre um choro para mim.” 

"“Eis aqui meu primeiro livro – o único certamente – que você não leu antes que o imprimissem. Embora todo dedicado a você, ele já não lhe concerne.

Quando éramos jovens e, ao final de uma discussão apaixonada um de nós triunfava ostensivamente, dizia ao outro: ‘Você está enclausurado!’ Você está enclausurado; não sairá daí e eu não me juntarei a você: mesmo que me enterrem ao seu lado, de suas cinzas para meus restos não haverá nenhuma passagem.

Esse você que emprego é um engodo, um artifício retórico. Ninguém me ouve; não falo com ninguém.” 

(Prefácio de A Cerimônia do Adeus - Simone de Beauvoir)

quinta-feira, 11 de outubro de 2012


Esta velha angústia, 
Esta angústia que trago há séculos em mim, 
Transbordou da vasilha, 
Em lágrimas, em grandes imaginações, 
Em sonhos em estilo de pesadelo sem terror, 
Em grandes emoções súbitas sem sentido nenhum. 

Transbordou. 
Mal sei como conduzir-me na vida 
Com este mal-estar a fazer-me pregas na alma! 
Se ao menos endoidecesse deveras! 
Mas não: é este estar entre, 
Este quase, 
Este poder ser que..., 
Isto. 

Um internado num manicômio é, ao menos, alguém, 
Eu sou um internado num manicômio sem manicômio. 
Estou doido a frio, 
Estou lúcido e louco, 
Estou alheio a tudo e igual a todos: 
Estou dormindo desperto com sonhos que são loucura 
Porque não são sonhos. 
Estou assim... 

Pobre velha casa da minha infância perdida! 
Quem te diria que eu me desacolhesse tanto! 
Que é do teu menino? Está maluco. 
Que é de quem dormia sossegado sob o teu teto provinciano? 
Está maluco. 
Quem de quem fui? Está maluco. Hoje é quem eu sou. 

Se ao menos eu tivesse uma religião qualquer! 
Por exemplo, por aquele manipanço 
Que havia em casa, lá nessa, trazido de África. 
Era feiíssimo, era grotesco, 
Mas havia nele a divindade de tudo em que se crê. 
Se eu pudesse crer num manipanço qualquer — 
Júpiter, Jeová, a Humanidade — 
Qualquer serviria, 
Pois o que é tudo senão o que pensamos de tudo? 

Estala, coração de vidro pintado!
(Fernando Pessoa)

KRIS KUSKI - “Everything but the kitchen sink.” This is how Kris Kuksi describes the materials he uses to create his incredibly detailed sculptures. Using model kits, toys, jewelry, and random found objects, his assemblages are stunning (and large!) masterpieces of fantastic mini-worlds, dense with themes from history and mythology that bring life to the scenes from his own wonderful imagination. His sculptures are stories and ideological statements, filled with deities and monsters, religious icons and soldiers, all part of an obsessively orchestrated machine serving as a testament to, as Kris puts it, “the fallacies of Man, unveiling a new level of awareness to the viewer.” 
( from  http://www.tumblr.com/tagged/joshua-liner-gallery?before=1335652964

'Wildish' by Denilce Luca

Holden Caulfield (The Catcher in the Rye) by Denilce Luca

“Anyway, I keep picturing all these little kids playing some game in this big field of rye and all. Thousands of little kids, and nobody's around - nobody big, I mean - except me. And I'm standing on the edge of some crazy cliff. What I have to do, I have to catch everybody if they start to go over the cliff - I mean if they're running and they don't look where they're going I have to come out from somewhere and catch them. That's all I do all day. I'd just be the catcher in the rye and all. I know it's crazy, but that's the only thing I'd really like to be.” 
― J.D. SalingerThe Catcher in the Rye

Tristeza  by Denilce Luca

Queria que fosse uma vida, mas foram momentos evanescentes...

Deles você não se permitiu lembrar. Eu não me permiti esquecer.

Olhei ao lado e você não estava mais lá...
Perdi os sentidos
Perdi o sentido

A vida que eu queria nunca existiu

Contigo então vivi o que não era vida
Sonho?
Se sonho fosse a dor não seria forte ao ponto de romper a carne e torturar a alma

Amor?
Talvez sim.
Dizem que ele sim é capaz de romper a carne e torturar a alma...
Ele dura o quanto quer
Pode ser vida
Pode nada ser

Queria que fosse vida
Queria que fosse amor
Queria tudo que na verdade nunca tive.
Apenas sonhei ter tido.

Não quero mais nada
Não quero vida
Não quero amor

Não mais desejando me permito esquecer
O que achava que era vida
O que achava que era amor




terça-feira, 9 de outubro de 2012


'The Bedeviled Arab' by Denilce Luca

'The Son' by Denilce Luca

Estudo sombra by Denilce Luca

Rourke by Denilce Luca
Gala

Salvador Dalí’s wife and muse, whose real name was Elena Ivanovna Diakonova. A mysterious and highly intuitive woman, she was able to recognise artistic and creative genius when she saw it, and had relations with a number of intellectuals a
nd artists.

It was in 1929 that she met Salvador Dalí.

In 1958 Dalí and Gala married at the Àngels chapel, near Girona. In 1968 the painter bought Gala a castle in Púbol, Girona, and it was agreed that the painter could not go there without her prior permission in writing to do so. Between 1971 and 1980, Gala would spend periods of time at her castle, always in summer. It was there that Gala was buried, following her death in 1982.

"Young Queen" by Denilce Luca (Esferográfica)

sábado, 6 de outubro de 2012


 'The Aging Mermaid'     by Denilce Luca                          (Painting by B. Vallejo)

Love me now when I am still beautiful
Touch my skin now when it is still soft and firm
Look in my eyes now when the wrinkles do not prevent you from doing so

Hear me saying soft words or whispering my deepest secrets in your ears now when my voice is still pleasant
Hold me tight now when I still have strength to hug you back
Say you love me now when I still have something to believe in

Toque meu corpo todo agora enquanto ele ainda te desperta prazeres insanos e mundanos
Prenda em tuas mãos meus cabelos ainda longos e belos enquanto penetra minha carne ainda tenra e gostosa

Beija meu corpo todo, morda meus seios e me envolva no teu calor... me ouça calado em meu sussurrar...
agora
Faça agora, sinta agora,

Enquanto brincas em seu tolo deleite masculino me dás tempo a encantar tua alma
Como uma feiticeira ou sereia
Enfeitiçando teu profundo ser

Posso então dizer que passei em tua vida
E de nenhuma outra serás
Ou foi.

E acreditarás nisso por todas as vidas que terás...
Ou teve.




'Ventos'  by Denilce Luca


tenho pena dos que são felizes
tenho pena dos que têm pés e mãos limpos
tenho pena de quem não quis matar
tenho pena de quem tem a mente calma
tenho pena da mulher bonita

tenho pena do homem perfeito
tenho pena da mente sã
tenho pena do conformado
tenho pena daquele que confiou a própria vida na fé de Algo
tenho pena de quem tem medo


o prazer da incompreensão me invade
o prazer do errado
do pé cascudo e da mão suja
de querer matar
a insanidade mais absoluta e gostosa
me envolve
a dúvida me invade e me faz viver
a dúvida de quem sou
desafiando qualquer fé
e brado não ter medo
a todos os ventos
pois ventos
existem.
Eles sim são reais.



sexta-feira, 5 de outubro de 2012


De almas sinceras a união sincera
Nada há que impeça: amor não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera,
Ou se vacila ao mínimo temor.

Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;
É astro que norteia a vela errante,
Cujo valor se ignora, lá na altura.

Amor não teme o tempo, muito embora
Seu alfange não poupe a mocidade;
Amor não se transforma de hora em hora,
Antes se afirma para a eternidade.

Se isso é falso, e que é falso alguém provou,
Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou.
(Shakespeare)

"The Arab" illustration and poem by Denilce Luca

Um Homem
Meu Homem...

Delícia de mistério
Inspira desejos e deleites que transcendem a delicada transparência da alma
Desperta vontades insanas

Olhos que penetram
Beijo que enlouquece
Cheiro que excita
Pele que provoca

Ah... mil e uma noites eu tivesse
Mil e uma noites ficaria a desvendá-lo...

John Bon Jovi by Denilce Luca

'Apollo e Dafne' by Roberto Ferri

quarta-feira, 3 de outubro de 2012


Painting by Fabian Perez - Girl with Red Hair

"Inveja Feminina"  by Denilce Luca

A teus olhos
sou a maldita
a mal feita
a desclassificada
a devassa.

 Inconsequente
 Desvairada
 Desbocada

Na verdade sou tudo isso e ao mesmo tempo nada disso
Sou tudo isso quando quero
Ou o contrário disso.
Pra ti porém não quero ser nada.

Na verdade vês em mim o que gostarias de ser.
Me olhas com desdém a devorar tuas próprias entranhas

Sou teu espelho inverso
Tua tortura interna...

Se procurares atrás desse espelho esquecerás de mim fácil.
Verás o que sou e o que queres ser

Dê-me paz e viva tua vida
Arranca do teu próprio corpo uma gota de prazer
De tua mente um momento orgástico

Goze teu próprio gozo
Seja teu próprio ser
Seja também maldita
Seja também Mulher.

terça-feira, 2 de outubro de 2012


Painting by Tomasz Rut

'Fica' by Denilce Luca

vem pra perto que te acolho
te afago o corpo e suavizo a dor

fica perto que te acolho
roubo-lhe todo o sofrimento, pois prefiro tê-lo pra mim...

fica perto que te cuido
fica perto que te amo
fica perto que te faço meu
pra que possa guardar em mim mais de você

deixa minha pele absorver teu suor
deixa minha boca te molhar
deixa teu cheiro me impregnar
deixa eu te guardar
deixa eu te encantar...

Fica perto...
Fica.

Painting by Philip Gladstone

Poema XIV  - Roberto Piva

vou moer teu cérebro. vou retalhar tuas
           coxas imberbes & brancas.
           vou dilapidar a riqueza de tua
                      adolescência. vou queimar teus
                      olhos com ferro em brasa.
                vou incinerar teu coração de carne &
                                 de tuas cinzas vou fabricar a
                                 substância enlouquecida das
                                           cartas de amor.